Opiniões

Defesa da Indústria

Revolução Tecnológica e Inovação

Confira artigo do vice-presidente do CIEMG, Ricardo Garcia

Por Ricardo Garcia

06/02/2019 17:32:00

 Atualizado em - 06/02/2019 17:32:00

Revolução Tecnológica e Inovação

Em seu livro A Quarta Revolução Industrial, o fundador e presidente-executivo do Fórum Mundial de Economia, professor Klaus Schwab, afirma que “estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”. 

Com tantas novidades batendo à nossa porta, a palavra do momento na agenda de executivos de todo o mundo é inovação. Apesar de amplamente discutido, por que o tema é motivo de resistências e, para muitas empresas, é tão difícil criar uma cultura de inovação?

Enquanto o mercado grita por inovação, o modelo de negócios com o qual estamos acostumados ainda privilegia a cultura do desempenho. Ou seja, estamos mais preocupados em gerar receita hoje do que em nos prepararmos para ter sucesso no futuro. No desempenho, quem acerta é premiado. Portanto, o erro é evitado a todo custo. Já na cultura da inovação, as pessoas precisam de liberdade para errar e são encorajadas a assumirem riscos. 

Por mais conflitante que pareça, o sucesso dos negócios está justamente em conciliar as duas culturas: desempenho e inovação. Para que isso aconteça, são necessários alguns fatores. 

Primeiro, as inovações em sua empresa devem partir de necessidades identificadas no mercado e agregar valor aos seus clientes. Inovar apenas para parecer moderno no final vai ser apenas um custo adicional para a empresa.

Segundo, é preciso que exista um alto grau de interação entre as pessoas na empresa. As pessoas são fator-chave para o sucesso de qualquer organização. Por isso mesmo, seja rigoroso na seleção de quem fará parte de seu time. Criatividade é importante, claro, mas escolha principalmente aqueles que demonstram estar sempre abertos a mudanças e desafios e que gostem de trabalhar em equipe. Inovação é um processo coletivo.

Adote uma política de diversidade e inclusão. Pessoas com diferentes culturas e formas de ver e de pensar o mundo trazem novas perspectivas para os negócios, geram um ambiente harmônico de trabalho e contribuem para um melhor entendimento das necessidades dos clientes. Quanto maior a diversidade, mais ideias, mais criatividade e inovação.

Terceiro, encontre respostas rápidas para a transformação digital em sua empresa. A revolução tecnológica está cada vez mais acelerada, e acompanhar esse ritmo pode ser um grande desafio para empresas tradicionais. A solução pode estar no modelo de negócios que antes parecia uma ameaça por trazer a inovação em seu DNA: as start-ups. Cada vez mais, grandes empresas buscam se aproximar de start-ups em projetos de inovação abertos, para ganhar mais eficiência, reduzir custos e encantar o cliente. Bons resultados já começam a aparecer. Por que não tentar?

Finalmente, seja um líder que promova a cultura de integração entre as pessoas. Comunique-se de forma eficaz para integrar as múltiplas visões pessoais em torno de um objetivo comum. Crie um ambiente que facilite a troca de ideias, a inspiração e a criatividade. Incentive as pessoas a superarem seus medos e assumir, com responsabilidade, os riscos do erro. Mostre a elas que não existe inovação quando insistimos em replicar o que deu certo no passado, por receio de testar o novo. Reconheça e valorize as melhores ideias, pois a verdadeira transformação de uma empresa, da sociedade, do mundo, sempre começa pelas pessoas. Como dizia Peter Drucker, “a inovação sempre significa um risco. Qualquer atividade econômica é de alto risco e não inovar é muito mais arriscado do que construir o futuro”.

“Por mais conflitante que pareça, o sucesso dos negócios está justamente em conciliar as duas culturas: desempenho e inovação.”