Opiniões

Defesa da Indústria

Parceria valiosa

Artigo do presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacéuticos e Quimicos para fins industriais de Minas Gerais, Sindusfarq, Carlos Mário de Moraes

Por Carlos Mário de Moraes*

26/12/2018 15:34:55

 Atualizado em - 26/12/2018 15:34:55

Parceria valiosa

Em um dos pronunciamentos dos mais lamentáveis, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que é preciso “meter a faca no Sistema S”, causando estranheza a nós, empresários. O Brasil passa por um momento difícil, e todos concordamos que é preciso fazer um esforço pela Pátria. Discordamos frontalmente é com a forma e o conteúdo usados pelo futuro ministro.

Antes de sugerir claramente ações para superar as mazelas da economia e do setor público, ele atacou uma das poucas estruturas que funcionam com qualidade garantindo competitividade ao setor produtivo do Brasil. Os recursos do Sistema S são contribuições das próprias indústrias e destinam-se a financiar educação e qualidade de vida para os trabalhadores.

No caso das mais de 2 mil empresas dos setores Farmacêutico, Cosmético, Petroquímico e Produtos Químicos para fins industriais de Minas Gerais, representadas pelo SINDUSFARQ, a parceria é fundamental. Nossas indústrias geram cerca de 72 mil empregos diretos nas diversas regiões do estado. São trabalhadores que sempre foram treinados pelo Senai e contaram com serviços de Saúde e Segurança do Sesi, os melhores do Brasil, que fez a diferença na vida de milhões de brasileiros. O setor gerou 46,15% da arrecadação de ICMS da indústria de Minas Gerais em 2017, correspondendo a R$ 10,3 bilhões.

Muito deste desempenho, se deve ao trabalho do Sesi, que apresenta resultados relevantes. Em 2017, realizou-se cerca de 1,6 milhão de matrículas em educação básica regular, educação continuada e educação de jovens e adultos (EJA) a trabalhadores e seus dependentes. Mais de 50 mil indústrias foram atendidas com programas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) que beneficiaram 4 milhões de pessoas.

Em Minas Gerais, o Sesi mantém 38 escolas, com mais de 15 mil alunos. No Enem 2017, posicionaram-se entre as escolas de melhor desempenho no país. O Sesi MG também oferece à sociedade cinco centros de cultura, cinco galerias de arte e oito teatros. Este ano foram atendidos mais de 600 mil espectadores, especialmente trabalhadores da indústria, seus familiares e as comunidades das quais fazem parte. 

Pegar recursos do Sistema para recompor rombo é no mínimo temerário. O que vai ser colocado no lugar? Quem vai fazer a qualificação tão necessária para que as indústrias possam ter competitividade internacional?

Além dos resultados que gera no ensino profissionalizante, o Senai tem forte atuação no campo da inovação e do desenvolvimento de tecnologia. Nosso setor foi parceiro de primeira hora do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) Senai/Fiemg, um dos maiores do país, com oito institutos. Quem vai apoiar o setor produtivo para a inovação de novos produtos?

O novo governo precisa do apoio da sociedade – muito especialmente do apoio da indústria, em iniciativas destinadas a recolocar o país no rumo do crescimento sustentado. “Meter a faca no Sistema S” certamente não se inclui nesse rol de iniciativas.

Artigo publicado no jornal O Tempo