Opiniões

Defesa da Indústria

Em defesa de Minas Gerais

Cássio Braga é presidente do Centro Industrial e Empresarial de Minas Gerais (CIEMG)

Por Cássio Braga

01/04/2019 10:07:14

 Atualizado em - 01/04/2019 10:07:14

Em defesa de Minas Gerais

Minas Gerais precisa, mais do que nunca, da união empresarial para construir um futuro de desenvolvimento econômico e social. Vivemos uma crise que se arrasta por muitos anos, agravada agora pelo desastre de Brumadinho, que interrompeu vidas e ameaça ter forte impacto econômico e social em nosso estado. Por isso, o CIEMG está, junto com todo o Sistema FIEMG e as entidades de classe empresariais mineiras, mobilizado para apresentar à sociedade a urgente necessidade de desburocratização e de foco, para que possamos seguir adiante. 

Na última semana, reverberamos uma grande mobilização do presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, para que a paralisação da atividade minerária no estado obedeça a critérios técnicos de segurança – e não seja balizada pelo calor da emoção da tragédia. As vidas precisam ser preservadas a qualquer custo. É justamente essa postura responsável e ética que não pode permitir que estruturas seguras sejam proibidas de operar, uma vez que isso significa a perda de empregos e de renda, com impactos sociais e econômicos nefastos para o nosso estado. 

As projeções feitas pelo Sistema FIEMG são dramáticas. A perda de produção da indústria da mineração pode chegar a 130 milhões de toneladas neste ano, o que implicaria queda de faturamento total de R$ 155,9 bilhões. A perda com salários chegaria a R$ 27,2 bilhões. Nas exportações, seriam US$ 6,6 bilhões a menos e nos impostos, R$ 6 bilhões. A perda de empregos seria de quase 140 mil na indústria da mineração, totalizando 1,5 milhão de empregos perdidos, considerando os demais setores da cadeia produtiva. O PIB de Minas Gerais amargaria uma queda de 4%. 

Outra frente de mobilização está em atuar junto aos governos estadual e federal, para que alterações simples possam ser feitas em exigências que emperram e oneram o desenvolvimento, sem qualquer ganho social nem econômico para o país. Podemos citar o eSocial e o Bloco K como exemplos. 

Os temas vêm sendo debatidos pela indústria mineira há, pelo menos, um ano. Em junho de 2018, obtivemos a revogação da obrigatoriedade de apresentação do Registro 0210 do Bloco K, que impunha às empresas a exigência de apresentar, ao Fisco, informações sobre o consumo de insumos utilizados nos seus processos produtivos. 

Para o CIEMG e para o Sistema FIEMG, o Bloco K e o eSocial são instrumentos de controle excessivos e invasivos, na medida em que impactam a competitividade das empresas, a liberdade de empreender e até a preservação de segredos industriais. Defendemos a revogação de ambos. Certamente, como apresentados hoje, não trazem ganhos ao país – nem aos empreendedores, nem aos trabalhadores. 

Seguimos, assim, firmes na defesa de Minas Gerais e de todos os mineiros. A indústria e toda a sua cadeia produtiva têm muito a contribuir com o nosso estado e com o Brasil – está em nosso DNA construir, transformar, beneficiar e agregar valor. Em conexão com os anseios da sociedade, o Sistema FIEMG olha adiante, para construir um futuro de desenvolvimento e de oportunidades.

"Minas Gerais precisa, mais do que nunca, da união empresarial para construir um futuro de desenvolvimento econômico e social."